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Os efeitos da seca nos fungos

21 DE NOV -

Nos últimos anos as alterações climáticas têm-se notado mais intensamente. A seca prolongada sentida este ano têm afectado os fungos e cogumelos presentes em Portugal.

Este é o testemunho de Rui Simão da Ecofungos – Associação micológica.

Efetivamente com a seca que estamos a atravessar, o micélio (parte do fungo que está dentro da terra e absorve os nutrientes) desnatura, o que irá certamente ter como consequência uma diminuição drástica na produção de frutificações - cogumelos. A situação é preocupante com riscos sérios para as árvores, uma vez que as espécies micorrízicas (fungos que se associam a raízes de árvores, beneficiando ambos) são extremamente importantes e fundamentais para a sua fitossanidade.

Na Mata da Machada, podemos ter sorte, se tivermos o lençol freático à superfície, o que acontece em algumas zonas da Mata. A humidade do solo poderá manter o micélio vivo, paralelamente com a contribuição das espécies decompositoras na produção de água -

aproximadamente 30% do resultado da decomposição efectuada pelos saprófitas (organismos que se alimentam de matéria orgânica em decomposição) é, de facto, água.

Para mitigar as consequências negativas da seca temos de ir acompanhando as dinâmicas e os comportamentos dos fungos que existem na mata, face a esta situação climatológica; garantir reservas de água à superfície e em profundidade nos períodos de pluviosidade; proteger o solo da erosão; evitar o crescimento de mais espécies invasoras que sejam oportunistas e consumam as parcas reservas de água existentes.

Portanto, mais uma razão para dar ênfase ao Projecto LIFE Biodiscoveries e continuar o controlo de espécies invasoras, as quais competem por água não só com as nossas árvores e arbustos, mas também com os nossos fungos que têm um papel fundamental no ecossistema.​

Imagens: Mauro Hilário

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